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Hepatites virais: estudo traça panorama da doença em 11 anos

ResumoO estudo brasileiro sobre hepatites virais, conduzido por pesquisadores do Einstein, analisou 200 publicações entre 2013 e 2024, abrangendo dados de mais de 14,5 milhões de pessoas. O panorama traçado visa fortalecer estratégias nacionais para eliminar a doença até 2030, com base em evidências científicas consolidadas.

Pesquisadores do Einstein analisaram 200 estudos publicados entre 2013 e 2024, com dados de mais de 14,5 milhões de pessoas, e traçaram um panorama das hepatites virais no Brasil. O objetivo é fortalecer estratégias para eliminar a doença até 2030.

Escrito por Renata Bello · Atualizado em 03 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
Revisado clinicamente porConselho clínico Método Fit 30Equipe médica revisora

Resumo rápido

  • Pesquisadores do Einstein analisaram 200 estudos publicados entre 2013 e 2024, com dados de mais de 14,5 milhões de pessoas, e traçaram um panorama das hepatites virais no Brasil.
  • O objetivo é fortalecer estratégias para eliminar a doença até 2030.
Hepatites virais: estudo traça panorama da doença em 11 anos

Estudo sobre hepatites virais traça panorama da doença em onze anos

Um estudo sobre hepatites virais traça panorama da doença em onze anos no Brasil. Pesquisadores do Einstein Hospital Israelita analisaram 200 trabalhos científicos publicados entre 2013 e 2024, com dados de mais de 14,5 milhões de pessoas. O objetivo é gerar conhecimento para fortalecer estratégias de prevenção e cuidado, contribuindo para que o Brasil alcance a meta de eliminar as hepatites virais até 2030. A pesquisa foi publicada na revista científica internacional PLOS ONE.

A investigação faz parte do projeto Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas, desenvolvido pelo Einstein no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

O que o estudo sobre hepatites virais revela sobre os tipos A, B, C, D e E

Foram analisados dados referentes a todas as hepatites virais: A, B, C, D e E. O coordenador do estudo, João Renato Rebello Pinho, médico do Departamento de Patologia Clínica do Einstein, explicou à Agência Brasil que as pessoas pensam mais nas hepatites B e C, porque são frequentes e, além de agudas, costumam ser crônicas.

Hepatite A: transmissão sexual e via alimentar

A hepatite A é aguda, mas pode ter casos graves. Pode ser evitada pela vacinação. Pinho ressaltou que a hepatite A voltou ao Brasil, principalmente transmitida por homens. "É uma nova forma de contato que foi reconhecida, que é o contato oral/anal", disse. A doença começou nos grupos de homens que fazem sexo com outros homens, mas se espalhou para todas as populações não vacinadas.

O contágio de pessoa a pessoa é mais difícil e precisa ser um contato íntimo. A forma mais comum de contaminação é por via alimentar, por água ou alimentos contaminados. Não há risco de transmissão por contato pessoal no ônibus, no trânsito ou na rua.

Por regiões, a hepatite A ocorre muito na região amazônica e nas regiões Norte e Nordeste. Em homens maiores de 18 anos, há muitos casos na região Sul, Sudeste e Centro-Oeste, devido ao comportamento sexual e à falta de vacinação gratuita para quem tem mais de 18 anos.

Hepatites B e C: transmissão, tratamento e prevenção

Nas hepatites B e C, a principal forma de contato é sexual. Também o contato com sangue ou produtos sanguíneos, principalmente o uso de drogas endovenosas, pode transmitir os vírus. Outra forma importante é a transmissão de mãe para filho durante a gestação e o parto.

O Brasil controla muito bem a hepatite B e já controlou a transmissão da hepatite B e do HIV de mãe para filho. "É uma coisa muito rara de acontecer atualmente", afirmou Rebello Pinho.

Existe vacina contra a hepatite B, que pode ser crônica. Tanto a B como a C se relacionam com cirrose e câncer de fígado. Para a hepatite B, há tratamentos muito eficazes. Já para a hepatite C, não existe vacina, mas os tratamentos curam mais de 95% dos pacientes. "É uma doença que, antes, tinha tratamentos muito ruins, mas agora tem tratamento muito bom", disse.

Hepatite D: doença negligenciada na região amazônica

A hepatite D, ou Delta, é negligenciada, segundo Pinho. "Porque ela acontece, em geral, com populações de um nível socioeconômico mais baixo, que acabam sendo negligenciadas pelos sistemas de saúde". No Brasil, é frequente na região amazônica, especialmente nas populações ribeirinhas.

Só pega a hepatite D quem é portador do vírus da hepatite B. A vacina para hepatite B é eficaz para a prevenção também da hepatite Delta. Nas populações ribeirinhas, muitas vezes há pessoas que se infectam com as duas ao mesmo tempo, o que pode levar a hepatite mais grave, até fulminante.

Hepatite E: zoonose ligada a animais

A hepatite E não é muito conhecida. Foi descrita inicialmente na Índia, com casos graves e epidemias extensas. No Brasil, como na Europa, é causada por um genótipo diferente, encontrado em animais. É uma zoonose, transmitida ao homem a partir de outros animais, especialmente o porco.

Perguntas Frequentes

O que é o estudo sobre hepatites virais?

É uma pesquisa do Einstein que analisou 200 trabalhos científicos publicados entre 2013 e 2024, com dados de mais de 14,5 milhões de pessoas, para traçar um panorama das hepatites virais no Brasil.

Quais hepatites foram analisadas no estudo?

Foram analisadas todas as hepatites virais: A, B, C, D e E.

Como a hepatite A é transmitida?

A forma mais comum é por via alimentar, por água ou alimentos contaminados. Também há transmissão por contato oral/anal durante relações sexuais.

Existe vacina para hepatite C?

Não. Não existe vacina para a hepatite C, mas os tratamentos curam mais de 95% dos pacientes.

O que é a hepatite D?

É um tipo de hepatite que só afeta quem é portador do vírus da hepatite B. É frequente na região amazônica e considerada negligenciada.

Como prevenir as hepatites virais?

Vacinação para hepatite A e B, sexo seguro, evitar contato com sangue e uso de drogas endovenosas.

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Fontes

  • Conteúdo revisado pela equipe clínica de Método Fit 30.
  • Diretrizes de sociedades médicas brasileiras e da Organização Mundial da Saúde.
  • Ministério da Saúde · publicações oficiais de saúde pública.

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